Os Povos designavam os aldeamentos fundados pelos jesuítas espanhóis para abrigar os índios guaranis, visando a sua cate- quização. Sete Reduções, como também eram conhecidos os povoamentos, foram fundadas na região missioneira no final do século XVII e início do século XVIII: São Miguel, São Nicolau, Santo Angelo, São Lourenço, São João Batista, São Luiz Gonzaga e São Francisco de Borja.

 

O projeto da Igreja de São Miguel é atribuído ao arquiteto jesuíta Gian Battista Primoli, nascido em Milão e que aqui chegou por volta de 1730. Francisco de Ribeira é também citado como possível autor ou colaborador na construção da igreja e José Grimau como autor do pórtico. Diversos autores pressupõem que a construção do templo teve início em 1735 e que tenha sido concluída entre 1744 e 1747. 0 projeto foi, provavelmente, inspirado na igreja central da Ordem dos Jesuítas, a Igreja de Gesú de Roma.

 

A igreja foi construída em etapas sucessivas e sofreu modificações ao longo do tempo. Primeiro, foi construída a nave; depois a torre e. posteriormente, o pórtico. As diferentes etapas da construção são evi- dentes e é possível observar a justaposição de cada uma das partes sobre as demais.
Pela tradição das igrejas missionárias, a de São Miguel possuía rica e colorida ornamentação interna,
formada por pinturas e esculturas com motivos sacros. As imagens eram executadas em arenito e algumas delas, hoje, fazem parte do acervo do Museu das Missões.
Pouco resta das primeiras Reduções, além de seus nomes e indícios de suas localizações. São Miguel, São Lourenço e São Nicolau são, pela ordem, os sítios onde as ruínas permitem estudos de como era a arquitetura das Missões.
Os remanescentes da Igreja de São Miguel e a edi- ficação do Museu das Missões foram inscritos no Livro de Tombo de Belas Artes em 1938.


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